
Essa frase que estampa o título desse post vem me assombrando à anos. Talvez pela minha indecisão crônica, ou por não ser uma grande conhecedora e apaixonada por música como setenta por cento das pessoas são, sempre que alguém me pede para enumerar minhas bandas favoritas, eu começo suar frio, gaguejar e acabo por dizer uma banda que com certeza não é minha favorita. Tipo Beatles ou Pink Floyd.
O meu gosto musical sofreu grandes alterações nos últimos anos, em especial 2012, quando eu finalmente defini que rock com elementos do pop dançante e orquestral era meu estilo musical favorito (apesar de manter um lugar especial para o folk pop no meu coração) em outras palavras, me rendi ao indie. Algumas pessoas me zoam ou me rotulam como hipster, mas o que posso fazer se os bastardos tem música boa?
Cresci ouvindo Pink Floyd, Beatles, Caetano Veloso, Queen, Raul Seixas e Legião. Um dos maiores orgulhos da minha vida é que meus pais tem gosto musical bom e eu aprendi a falar ouvindo Metamorfose Ambulante e Tempo Perdido. Me lembro de não entender bulhufas, mas de achar tudo lindo. Tornei-me uma fã assumida das estrelas da Disney no ápice dos meus nove anos. Demi Lovato, Selena Gomez e Jonas Brothers inundavam as listas de reprodução do meu computador, mas sempre tive antipatia pela Miley Cyrus. E claro, como não citar High School Musical? A raiz do meu amor por musicais, motivo suficiente pra obrigar meu pai a dirigir até Campinas para assistir o terceiro filme no dia da estreia! Acho que se bobear, até hoje sei as letras e as coreografias, e de vez em quando, tiro um dos CDs do fundo do baú das tralhas e fico cantando pela casa. Nada mais desestressante e feliz do que What time is It e A Night to Remember. Houve uma época em que era fácil encontrar desde Madonna até ACDC em alguma pasta do meu computador. Mas esse período durou pouco, e a minha prima Rafaela foi quem me iniciou no maravilhoso e obscuro mundo da música alternativa.
Entretanto, durante todo esse tempo, nunca tive uma banda pra chamar de favorita. Houve surtos, claro, quando eu simplesmente não parava de ouvir um álbum de determinada banda e pensei que talvez tal banda seria minha favorita. Mas em um ou dois meses isso passava. Aliás, até esse conceito de favorita me é desconhecido. Minha banda favorita é a que eu mais ouço ou a melhor? Pra ser favorita eu tenho que saber tudo sobre ela? Muito confuso isso, gente.
Até alguns dias atrás, quando eu me encontrei cantando alto Haiti, do primeiro álbum de Arcade Fire, chamado Funeral. E me lembrei que já faz mais de dois anos que eu ouço essa banda de Montreal, formada em 2003 com sete membros. Me lembrei que eu acho tudo incrivelmente legal, desd’as músicas até a arte da capa dos três álbuns. Que sou apaixonada pelos vídeo clipes meio surrealistas, pelos que contam uma história, ou pelos mais simples, cenas de um show. Adoro o fato deles usaram um monte de instrumentos diferentes, adoro Quebec porque eles são de lá. Adoro Wake Up, Neon Bible, Suburban War e Abraham’s Daughter. E apesar de que não mataria para assistir um show ao vivo, não reclamaria de andar alguns quilômetros para vê-los ao vivo. Sei lá, quem sabe são meus favoritos.

