02 abril 2014

já acabou março?

Na verdade, já não acabou 2014? Porque esse mês durou pelo menos, uns dois anos, né mesmo? Ainda bem que estamos em abril. E abril, junto com seu sucessor, são os meses que mais amo no ano todo. Ninguém tá super cansado ainda, as férias estão batendo na porta, tá frio e é meu aniversário. Enfim, sem mais delongas, vamos lá.

ASSISTINDO: The Originals. Essa belezura tá humilhando a série mãe e é com um orgulho danado que digo isso, porque sempre apostei nos originals nenéns. E está prestes a melhorar, agora que a Rebekah foi embora. Na verdade, não sei se amo ou odeio a moçoila porque apesar dela ser um pé no saco, chata, e a definição perfeita de mimimi, ela consegue como ninguém colocar lenha em qualquer barraco, ou criar um fogo ela mesma, e tem qualidade melhor quando o assunto é seriado da CW? Aliás, acho que a Bonnie ou Celeste, ou Divina ou sejá lá qual for o nome da bruxa ruiva que esqueci deveria encontrar um feitiço para trazer todos os Mikaelson de volta, inclusive o irmão mais novo que nem vampiro era.

OUVINDO: Então, minha gente, meu aniversário se aproxima. Faço quinze aninhos dia vinte seis desse mês maravilhoso que é abril. Daí, expliquei pros meus pais que a cultura ocidental tem essa tradição meio besta de “debutar” uma menina, óbvio que eu, que nem sei andar de salto direito, não quero nem pensar em festa grandona, com valsa e vestido apertado. Meu sonho desde pequena é ir pra Europa comemorar os quinze em Londres/Paris, então vocês sabem: eu me sentiria uma princesa. Só que sei que dinheiro não dá em árvore e que se eu fizesse isso, até os quarenta ouviria minha mãe dizer que eles quebraram por causa da tal viagem, e blá blá blá. O presente que pedi foi bem mais humilde, veja bem: eu queria ir no Lollapalooza pra ver o show da Lorde ou do Arcade Fire. Viu só? Eu nem pedi pra ir nos dois dias, e contei que o pai da Carol levou ela no show do Justin Bieber quando já tinha ingressos comprados pra uma banda cover de Metallica no mesmo dia. Isso mesmo, ele abriu mão do tal show pra ver um monte de menina histérica além de um adolescente meio babaca gritando no palco. Pressãozinha emocional básica. Não funcionou, não vou nem no Lolla, nem no show do Fliperama em Chamas lá no Rio de Janeiro.
Mas pra quê toda essa história, Ana Paula? Para contar que como ato de protesto, deixo tocando os dois dos meus artistas favoritos que vem pro Lollinha no volume máximo o dia inteiro vinte e quatro horas por dia. Imagina se ALT-J tocasse também? Daí eu ia pra São Paulo escondida, por que né, sacanagem tem limites.

LENDO: Ganhei essa graphic novel sensacional do meu maninho chamada LOGICOMIX. A sinopse da wikipédia é: “Logicomix: Uma Jornada Épica em Busca da Verdade narra a busca de Bertrand Russell pelos fundamentos lógicos dos princípios matemáticos”. O Meu irmão está fazendo mestrados e segundo ele, tá vendo um tipo de matemática que nem graduado em matemática pura e aplicada vê (!!!!!). O nome do senhor Russell é várias vezes citado além de um monte de gente foda da matemática e filosofia aparecerem o que só deixa mais ♥. Eu acho matemática linda. Sério. Linda. E o Russel faz um monte de questionamentos que são sensacionais e quando você para pra ver, fazem todo o sentido. Quem sabe escrevo um post sobre isso.

Fora isso, o resto do mês foi:

31 março 2014

o tal do bolo de chocolate

(gente, comecei a escrever esse post dia 21, não publiquei por motivos de: esquecimento)

Pois ontem foi aniversário da minha mãe.

Herdei muito do meu complexo de carência e ninguém-me-ama-ismo da minha mãe. A depressão assolou esta casa depois de meu pai ter avisado que não passaria o dia 20 de março junto cá gente. O que seria muito deprimente se não tivesse deixado eu e mamãe tão irritadas. Antes de partir, meu pai veio até mim, e falando baixo para que dona Dalva não ouvisse, e me deixou encarregada da seguinte missão secreta: levar um bolinho lá na loja pr’a gente cantar parabéns.

Tá certo que não é nada digno de filme com o Tom Cruise nem nada, mas certamente não era eu a pessoa mais indicada pra tal quest. No grande dia mamãe se deu ao luxo de almoçar junto comigo (a gente almoça cada um numa hora, como já relatei em postagens anteriores) e foi embora duas horas depois, quando a emprega já tinha partido e restou somente eu para pilotar o fogão.

Já contei pra vocês antigas aventuras que envolviam a cozinha. Eu e ele nunca fomos amigas, especialmente quando minha mãe entra na história porque ela fica sentada na mesa, vendo eu mexer com os temperos me olhando com cara de “isso vai dar merda” e quando pergunto se isso vai dar merda, ela não diz nada, só observa. Minha primeira idéia, óbvio, foi comprar um bolo e não fazê-lo, mas grana anda curta e eu não poderia simplesmente pedir que minha mãe patrocinasse o próprio bolo de aniversário, porque até cara-de-pau-zisse tem seus limites.

Toda apreensiva, fui lá eu colocar a mão na massa. Apareceu-me o primeiro mistério: que receita fazer? Não tinha eu muitas opções, seria bolo de chocolate simples, bolo de fubá que desgosto ou partir pra raça e encontrar uma receita eu mesma. Vocês já sabem qual escolhi né mesmo? Sou hardcore e decidi que iria inovar, isso mesmo, challenge accepted: fui procurar minha própria receita.

Depois de várias pesquisas, muitos livrinhos de receita folheados, muito trabalho, cheguei ao veredicto: num caderninho preto e branco, arrame de plástico, folhas sulfite A4, lá estava, intitulado “Bolo de Chocolate Fácil”. Fácil. Tá'i uma palavra que eu gosto quando o assunto é culinária.

Entretanto, havia um probleminha: a nada me dizia por quanto tempo eu deveria colocar o bendito no forno. Mas óbvio, eu não sou o tipo de pessoa que lê a receita inteira antes de já ir quebrando os ovos, colocando no liquidificador, ligando a música e pensar na cobertura ideal. Quando notei, já tinha seis ovinhos quebrados. O que faria com isso? Omelete? Nunca gostei de ovo, imagina SEIS ovos numa omelete, por uns dois minutinhos fiquei pensando nas possiblidades. Finalmente, liguei o foda-se. Minha mãe já sabe que não cozinho nem miojo direito, bolo então… Xé.

Armei o plano:  sentada ao lado do forno, eu iria estudar química inorgânica e como essa matéria tem em mim efeito semelhante a Domingão do Faustão em dia chuvoso, prestaria muito mais atenção na massa crescendo do que no meu livro. Assim fiz, e comecei a ficar preocupada quando já a vinte minutos, nada do bolo crescer.

Lá estava eu, pensando no carbono, coitado, que nunca vai ser produzido porque o fermento, fresco com é, se recusa a fazê-lo. Já perdendo as esperanças, saí para tomar um copo d’agua (pois é, a talha não fica na cozinha aqui em casa) e quando volto: surprise! A massa marrom está quase transbordando da forma!

Orgulhosíssima da minha mais recente conquista, parti para a próxima: a bendita da química inorgânica. Envolvida com os ácidos e bases e óxidos e (bleh), mal percebi que o bolo voltou a puxar completamente. Quando notei que aquela massa bonita, marronzinha e cheirosa virara um amontoado de átomos estranhos, meio queimado, meio cru. Completamente feio. Tirei o bolo do forno e fui caminhando até a loja dos meus pais, tristonha. Cantamos parabéns e mamãe disse que tudo bem, que o que vale é a intenção e que ela estava muito feliz.

Coloquei uma fatia-barriga-negativa no meu pratinho e me sentei, com o fracasso pesando. Foi então que coloquei um pedaço dentro da boca e minhas papilas fizeram a festa. Deu pra sentir lá no fundo da alma o gosto do chocolate: era doce, mas não enjoativo, macio, gentil, do tipo que a gente sonha durante os meses anteriores a visita na casa da vó, que faz o bolo perfeitamente. Com toda humildade, estava ótimo.

Próximo passo:

07 março 2014

se eu não empurrasse todos os problemas pra de baixo da cama

Se não fosse todo esse ciúmes e qualquer boberinha motivo pra cair no choro; se não fosse o medo de deixar os outros sem consolo então não seria eu. Se não fosse o soluço que não consigo controlar, a vermelhidão que não dá pra esconder e a vergonha que só curo rindo, então o riso não teria graça e não seria eu. Se eu soubesse o que quero fazer com a minha vida, se já tivesse tudo anotado num caderninho, se eu escolhesse o jeans um pouco mais rápido, se não fosse a pilha de livros que acumulo no fim da escrivaninha, se não fosse o batom que comprei mas nunca usei porque era rebelde e não escovava os dentes direito, se não fosse os dentes grandes demais, lascados nas pontas e amarelados pelo café, se não fosse a Rússia, se não fosse o francês, o Chile e os Miseráveis, se não fosse a Maria Antonieta, então não seria eu. Se não fosse o espaço, Doctor Who e as estrelas, se não fosse Harry Potter, as fadas, as sereias e o Rei Arthur. Já me disseram que mudar ninguém muda, e até eu já tentei dar um jeito nessa mania meio besta de ser livre e independente, mas sem ela, daí não seria eu. Na melhor das hipóteses eu posso parar de tentar fazer o bolo da minha mãe, mas ainda queimaria tudo que colocasse na panela, porque foi essa falta de destreza que me fez assim. Se não fosse o eufemismo, a hipérbole e a ironia, se não fosse o sol, os elefantes e a lua, os triângulos, a história e a matemática, se não fosse as séries de menininha, se não fosse as bandas que ninguém conhece, se não fosse tão orgulhosa, se não fosse no Brasil, se não fosse o ballet e as roupas meio esquisitas e sapatos mais estranhos ainda, se não fosse os pássaros, se não fosse a janela do meu quarto, virada pro leste que a noite eu amo por todas as estrelas que espio e na manhã eu xingo pelo sono que perco; se não fosse o nariz meio estranho, as sobrancelhas com quem sempre brigo, se não fosse as feições meio infantis, se não fosse eu crescida antes de todo mundo, ah se não fosse a infância que perdi, se não fosse tão tímida, daí você sabe: não seria eu.

Vi esse meme ano passado no blog da Ana Luísa, e fiquei louca pra fazer, mas decidi não ir de intrometida e esperar alguém me indicar, ninguém me indicou e caiu no esquecimento, até que a Duda me chamou pra brincadeira. A idéia é escrever um texto desse baseado na música Capitão Gancho, da Clarisce Falcão, passo a bola pra Dani, pra todas as meninas do Vírgula Assassina, e pra minha xará.

05 março 2014

Ah, o Oscar

ou então: tamo contigo, DiCaprio

Esse é o único domingo que é legal estar vivo, essa é a nossa vingança de gente que comenta futebol no twitter, esse é o dia em que todo mundo senta em frente a TV com o computador no colo e comenta tudo igual família do interior, de caps lock e de bancar o crítico e de bater aposta com os amigos.

Ah, o Oscar.

O Grammy é fichinha, o Globo de Ouro é maneirinho, Cannes é legal, agora o Oscar, o Oscar supera isso tudo. É óbvio que tudo aquilo é só politicagem, e que muito provavelmente o melhor filme do ano nem está entre os candidatos, e o melhor dos candidatos está muito longe de vencer. Quem dirá Cisne Negro, Os Miseráveis, Django Livre. E tem vezes que o filme mais legal não chega a ganhar prêmio nenhum. Prêmio nenhum.  É, eu tô falando de O Lobo de Wall Street. Sei que melhor filme era forçar a barra, já falei, é tudo politicagem, mas roteiro original, diretor e o Oscar pro Leo, que porfa, é um dos melhores atores vivos lá de Hollywood, sepá do mundo todo. Vi bastante gente dizendo que ele merecia ter vencido ano passado, mas que esse ano não e blá blá blá.  GENTE, O QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO??? Acho que até a galera que limpou o set de Django Livre merecia um Oscar de tão fantástico que aquele filme estava, mas no Lobo o Leo estava tão bom quanto e como disse, além de merecer um Oscar, devia ganhar também um pedido de desculpas por ser ignorado tantas vezes pela Academia nessa vida de gado.

Queria só reclamar disso porque o resto da noite até que foi legal. A Ellen devia ganhar um Oscar por ser a Ellen, e devia ter cargo vitalício de apresentadora da cerimônia depois de todo esses anos de apresentadores chatos. Foi muito legal a idéia que os indicados trouxeram. Sei lá, só eu acho que a Academia está ficando menos patriota e passando a reconhecer o talento de (alguns) atores e diretores estrangeiros (mesmo que só se os filmes forem em inglês)? O Alfonso Cuarón é latino-americano do México, a Lupita, essa fada, é queniana/mexicana/negra. E não só isso, Dallas Buyers Club é um filme sobre aidéticos e o Jared Leto interpreta uma mulher transexual com a doença! É incrível como não são mais os estereótipos de atores e personagens que estão ficando com a estatueta na mão.

Queria abrir um parênteses para comentar quão maravilindas e bem vestidas as moças estavam. Deem uma olhada na beleza exuberante dessas duas mulheres ali em cima: é assim que você se veste quando todo mundo já sabe que você será a vencedora. Afinal, isso é o motherfucking Oscar, não o casamento da sua prima. A Lupita Nyong'o tá parecendo uma fada, ficou linda com esse vestido azul-bebê e deve ser uma das poucas mulheres que arrasam com um decotão mesmo com seios zero. Já a Cate Blanchett, vocês sabem que se qualquer outra pessoa usasse um vestido desses sem tomar cuidado ficaria horrível, mas a moça irradia elegância, ainda mais segurando a estatueta que super merecia.

E a riqueza não parou nas vencedoras não, cêis viram a Angelina que deusa? Também acho que roubar marido dos outros é pecado, mas é difícil não gostar da mulher quando ela se veste dessa maneira. A Emma Watson, mostrando que é a bruxa mais bonita da sua idade e subiu naquele palco junto com o Joseph Gordon-Levitt (shipando hard), para mostrar todo o charme britânico e apresentar algum ganhador. Naomi Watts também foi só convidada mas arrasou. Foram minhas favoritas.

O Jared Leto e a Lupita vencendo foram as coisas que mais gostei na noite. O discurso do Jesus foi digno de passagem na bíblia e aproveitou para lembrar de todo mundo que sofre de AIDS e da galera que está lutando pela independência e democracia na Ucrânia e na Venezuela e ainda agradeceu a mamãe. Eu posso não ser a maior fã de 30 Seconds to Mars, mas esse homem… Tenho certeza que a Lupita Nyong’o é na verdade uma fada madrinha, mesmo que tenha ido de Cinderela e se eu tivesse ganhado um Oscar, teria me comportado igual a ela “to every little child, wherever you are from, your dreams are valid”. Apenas.

A Santa Ceia com Jesus dividindo a pizza e Brad Pitt entregando os pratos (ele deve ter uns nove filhos, é mestre em fazer isso), dona Meryl Streep engolindo um pedação e Ellen zoando o Brad Pitt, num momento mão de vaca que ficou irritadinho e deve ter colocado duzentos dólares naquele chapéu além da selfie histórica renderam memes para o ano todo e por mais que eu tenha ficado puta pelo Lobo de Wall Street não ter levado merda nenhuma e pelo fato de Gravidade só não ter vencido melhor animação por motivos óbvio(não aguentava mais ver Alfonso Cuáron, Sandra Bullock e companhia subindo naquele palco), mesmo não tendo superado a magia que foi a festa do ano passado, até que curti a noite. Para fechar com chave de ouro, eis o melhor meme da noite, beijos e até ano que vem:

ano que vem é tua, meu amor ano que vem é teu, meu amor